Constelação Familiar e Espiritismo

Constelação Familiar Não é Ligada ao Espiritismo

Em virtude do desconhecimento, até por se tratar de algo novo e pouco difundido no país, muitas pessoas ligam a Constelação Familiar com o espiritísmo. Porém, na realidade, o método desenvolvido a mais de 40 anos é um processo que faz parte da ciência fenomenológica, ou seja, da ciência dos fenômenos. Essa confusão geralmente acontece graças à utilização corriqueira por parte dos consteladores de expressões como ancestrais, antepassados e alma, levando algumas pessoas a entender equivocadamente que se trata de algo ligado às práticas religiosas ou mesmo a uma sessão espírita.

Baseada em teorias científicas que foram aplicadas na filosofia criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, a constelação não tem ligação com os ensinamentos espíritas, assim como também não é algo sobrenatural, trabalhando somente com informações concretas que são carregadas de geração em geração pelas pessoas. “Essa é uma dúvida muito comum e que gera muitas discussões, principalmente aqui no Brasil, que é um país onde a religião se faz muito presente na cultura das pessoas. Mas, a constelação não tem absolutamente nada a ver com o espiritismo, apesar que se inclui em todas as religiosidades, porque isso faz parte das crenças de cada pessoa. Excluir isso também seria gerar uma dinâmica de conflito interno”, afirma Luciano Alves, Neuropsicólogo e Master Coach Trainer, Trainer em Constelação Familiar, completando. “Na realidade, trata-se de uma intervenção terapêutica no qual o cliente é livre para crer no que deseja. Formar qualquer vínculo deste método psicoterapêutico com qualquer credo foge totalmente da metodologia para qual ele foi criado”.

Ainda segundo o especialista, a técnica é uma abordagem que trata de temas pessoais e profissional que estejam causando desconforto ao cliente, algo que causa preocupação, consome a energia ou bloqueia as ações. O foco principal é tornar visíveis os padrões nos quais as pessoas estão emaranhadas dentro do sistema ao qual pertence. Questões essas que, por mais que as pessoas se esforcem, não conseguem avançar de forma significativa, já que a causa não está diretamente ligada a ela, mas é carregada no intelecto e em memórias de forma fenomenológica, sendo repassadas antes dela nascer. “Bert Hellinger defende que a Constelação é uma ciência universal das ordens da convivência humana, que tem início pelas relações nas famílias, por exemplo, num relacionamento entre homem e mulher e entre pais e filhos. O que tem que ficar claro é que a constelação também não limita ou exclui as crenças que acreditam em outras vidas e nas influências que estes podem ter sobre nós. Apenas, elas não fazem parte do método que utilizamos no Instituto Luciano Alves. Respeitosamente, não há nenhuma mistura com questões religiosas”, diz.

Outra possível explicação para essa confusão frequente das pessoas é o passado bastante atuante do criador da Constelação junto a teologia e ao catolicismo. Aos 20 anos, com o fim da Guerra, Bert Hellinger se tornou padre. Ele se formou no curso de Teologia e Filosofia na Universidade de Wurzburgo, em 1951. Foi, então, enviado como missionário católico para a África do Sul, onde atuou como diretor de diversas escolas, como o Francis College, em Marianhill. Além disso, a atuação da esposa de Bert Hellinger, que vem de uma corrente esotérica e espiritualista muito forte na Europa, também pode ter ajudada a criar esse mito, já que ela acabou atraindo para constelação muitos adeptos espíritas.

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